Sistemas para a operação
Por que o investimento em automação não dá o resultado esperado
Muitas vezes, o investimento em automação não rende porque a informação de que a ferramenta precisaria está espalhada, e ninguém decidiu onde ela fica, quem responde por ela e qual versão vale.
Uma pesquisa recente da Bain (abre em nova aba) ajuda a ver onde está esse freio.
O que a pesquisa mostra
Muitas empresas estão colocando mais dinheiro em automação e IA sem ter visto o retorno que queriam.
A Bain ouviu 951 organizações de vários países na pesquisa Automation and AI Pathfinder, publicada em junho de 2026. Entre as que mediram o resultado, quase 4 em cada 10 economizaram no máximo 10%. Ainda assim, 90% das organizações pesquisadas estão aumentando o orçamento para automação e IA.
A ferramenta não tem o que ler
A maior barreira apontada para avançar com IA é acesso e integração de dados: 41% dos entrevistados a colocam em primeiro lugar, à frente de orçamento, compliance e falta de gente qualificada. Foi o número que mais me chamou atenção.
Esse resultado costuma ser lido como problema técnico, de conector e de banco de dados. Numa empresa em crescimento, ele começa antes: a informação ainda não tem lugar definido.
Se o dado de que a ferramenta precisaria estiver numa planilha do financeiro, numa aba que só uma pessoa entende ou na cabeça de quem está há mais tempo no time, não há o que ler. A planilha que resistiu a todos os sistemas é um exemplo disso: as regras que a operação mais usa estavam guardadas onde nenhum sistema chegava.
Três decisões antes da ferramenta
Antes de comprar qualquer solução, alguém precisa responder três perguntas sobre cada informação importante da operação:
- onde ela fica, e de onde ela vem;
- quem responde por ela, e quem corrige quando ela está errada;
- qual versão vale, quando o sistema, o financeiro e o relatório da diretoria mostram números diferentes.
Enquanto essas respostas estiverem em aberto, qualquer ferramenta, com ou sem IA, trabalha com o que encontrar, inclusive com a informação desatualizada. O resultado sai rápido e com cara de certo, e ninguém consegue dizer de onde ele veio.
Assunto da liderança
Essas três decisões cabem à liderança da empresa.
A própria Bain chega perto disso. Entre as empresas que se saíram melhor, os dados deixaram de ser assunto da TI e viraram pré-requisito do negócio, decidido pela alta liderança. A pesquisa mostra que as duas coisas andam juntas; ela não prova que uma causou a outra.
A leitura que eu faço é simples. Decidir qual versão vale é decidir quem tem razão quando duas áreas discordam, e a TI não toma essa decisão sozinha.
Antes de automatizar
Automatizar, com ou sem IA, o que ninguém redesenhou deixa o problema mais caro. A IA pode ajudar muito, ao lado de software sob medida, automação e integração, quando a informação tem lugar, dono e versão.
Se a sua operação ainda não sabe responder a essas três perguntas, é por elas que a conversa começa. É o trabalho que a fiver.digital faz em Sistemas para a operação.